A segurança voltou a ocupar posição estratégica dentro das empresas. Além do aumento das preocupações com ataques cibernéticos, organizações de diferentes setores também têm ampliado investimentos em monitoramento, controle de acesso e sistemas integrados de vigilância para reduzir riscos operacionais e proteger ativos físicos. Segundo o Data Breach Investigations Report (DBIR) 2026, da Verizon, a exploração de vulnerabilidades respondeu por 20% das violações de segurança analisadas no último ano, evidenciando como falhas de proteção continuam sendo uma preocupação crescente para os negócios.
Para Pericles D'Elia Junior, empresário e especialista em infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual, o movimento reflete uma mudança importante na forma como as empresas enxergam a segurança. Se antes os sistemas de vigilância eram vistos apenas como instrumentos de monitoramento, hoje fazem parte de uma estratégia mais ampla de continuidade operacional e gestão de riscos.
“Durante muito tempo a segurança eletrônica foi tratada apenas como um custo ou uma exigência operacional. Hoje ela passou a ser vista como uma ferramenta importante para proteger pessoas, patrimônios, processos e até informações estratégicas”, afirma.
Segundo o especialista, a evolução tecnológica transformou profundamente o setor nos últimos anos. Sistemas que antes operavam de forma isolada passaram a trabalhar de maneira integrada, permitindo que câmeras, sensores, controles de acesso e plataformas de monitoramento compartilhem informações em tempo real.
“Os equipamentos ficaram mais inteligentes e os sistemas mais conectados. Atualmente é possível acompanhar operações remotamente, gerar alertas automáticos, registrar movimentações e identificar situações de risco com muito mais rapidez do que há alguns anos”, explica.
Apesar da evolução tecnológica, Pericles afirma que muitos problemas continuam surgindo por erros básicos de planejamento e manutenção.
“É comum encontrar empresas com equipamentos modernos, mas instalados sem uma estratégia adequada. Em muitos casos, os sistemas existem, mas não recebem manutenção periódica, atualização ou monitoramento constante. Isso reduz significativamente a eficiência da proteção”, diz.
Na avaliação do especialista, outro equívoco recorrente é acreditar que segurança eletrônica se resume à instalação de câmeras.
“Muitas pessoas associam segurança apenas ao monitoramento por vídeo, mas a proteção envolve uma série de elementos. Controle de acesso, infraestrutura de rede, armazenamento das imagens, conectividade e procedimentos operacionais fazem parte do mesmo ecossistema”, afirma.
O crescimento dos modelos híbridos de trabalho, a expansão das operações digitais e a necessidade de proteger ambientes cada vez mais conectados também ampliaram a importância da integração entre segurança física e tecnologia.
“Hoje não existe uma separação tão clara entre segurança patrimonial e infraestrutura tecnológica. Os sistemas estão conectados, compartilham informações e dependem da mesma base tecnológica para funcionar adequadamente”, explica.
Com mais de 25 anos de atuação em projetos de infraestrutura tecnológica e segurança eletrônica, Pericles acredita que a tendência é de que a proteção patrimonial se torne cada vez mais orientada por dados, automação e integração entre diferentes tecnologias.
“As empresas perceberam que prevenir costuma ser muito mais barato do que lidar com as consequências de uma falha. A segurança deixou de ser apenas uma questão de vigilância e passou a fazer parte da estratégia de proteção e continuidade dos negócios”, conclui.