A recente renegociação da dívida bilionária de Diadema com a União, que reduziu o passivo de quase R$ 1 bilhão para cerca de R$ 198 milhões, é um marco histórico para o município. A economia de mais de R$ 760 milhões representa um alívio financeiro que abre caminho para investimentos, obras e melhorias nos serviços públicos. Como morador desta pacata cidade, parabenizo o prefeito Taka Yamauchi e o secretário de Finanças, José Luiz Gavinelli, pela coragem e competência em enfrentar um problema que parecia insolúvel.
No entanto, não posso deixar de indagar: por que as gestões anteriores não buscaram uma solução efetiva para essa dívida, especialmente considerando que a Lei Complementar 148/2014, que possibilita a revisão e redução dos contratos de refinanciamento, está em vigor há mais de uma década? Por que o município permaneceu refém de um passivo crescente, que chegou a comprometer mais da metade da Receita Corrente Líquida, sem que medidas concretas fossem tomadas para evitar esse colapso financeiro?
É fundamental que a Câmara Municipal de Diadema assuma seu papel fiscalizador e investigue a fundo a origem dessa dívida colossal. É preciso entender em que ela foi aplicada, se os recursos foram devidamente utilizados em benefício da população e quais foram as falhas administrativas que permitiram seu crescimento descontrolado. Transparência e responsabilidade são essenciais para que episódios como esse não se repitam.
A população de Diadema também deve refletir sobre o peso dessa dívida e sobre os responsáveis por ela. É hora de cobrar dos representantes políticos compromisso real com a gestão pública e com o futuro da cidade. Sugiro que os moradores repensem suas escolhas eleitorais e evitem votar em partidos e políticos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a contração dessa dívida e que, aparentemente, não fizeram esforços suficientes para saná-la.
A virada fiscal promovida pela atual gestão é um exemplo de que é possível enfrentar desafios complexos com planejamento, transparência e diálogo. Que essa conquista sirva de alerta e inspiração para que Diadema construa um futuro mais justo, sustentável e próspero para todos os seus cidadãos.
*Jornalista e editor dos portais Rádio Serraria e Megavarejo