O debate sobre as ocupações em Diadema ganhou força na Câmara Municipal com discursos de vereadores que expuseram diferentes visões sobre o problema da moradia. Juninho do Chicão, líder do governo, destacou a necessidade de levar o caso ao Ministério Público e de cumprir decisões judiciais já existentes. Reinaldo Meira, por sua vez, apontou críticas ao histórico de gestões do Partido dos Trabalhadores e sugeriu alternativas para realocar famílias em terrenos destinados à habitação.
Juninho do Chicão afirmou que os vereadores devem agir como fiscalizadores e denunciar possíveis crimes ambientais relacionados às invasões. Ele lembrou que há uma decisão judicial da Vara da Fazenda Pública de Diadema, emitida em 2016, que determina a desocupação de prédios por risco estrutural e falta de saneamento. O vereador ressaltou que a Polícia Militar será responsável pela execução da ordem, com plano técnico de retirada das famílias.
O líder do governo também destacou que a prefeitura cadastrou 88 famílias, das quais mais de 50 estão aptas a receber auxílio aluguel. Segundo ele, o movimento de sem-teto recebeu da municipalidade um terreno na Rua Canadá, o que demonstra abertura ao diálogo. No entanto, Juninho criticou a falta de negociação no episódio de 7 de setembro, quando a cidade comemorava sua independência e houve ocupações sem acordo prévio.
Já Reinaldo Meira abordou o tema sob outra perspectiva. Ele lembrou que o problema das ocupações em Diadema é histórico, com famílias aguardando moradia há até 19 anos. Para o vereador, o déficit habitacional é resultado de décadas de gestão do PT, que governou a cidade por cerca de 40 anos sem resolver a questão.
Meira sugeriu que o movimento MLB direcione famílias para áreas já destinadas à habitação, como o terreno da Prestes Maia, próximo ao Sesi e Senai, onde estão previstas 800 moradias. Ele defendeu que prefeitura, secretaria de habitação e movimentos sociais atuem em conjunto para incorporar famílias em projetos habitacionais em andamento.
O parlamentar reforçou que é preciso dar encaminhamento prático às demandas e criticou a contradição de movimentos que reivindicam moradia sem aproveitar áreas já cedidas. Para ele, a solução passa por unir esforços entre governo municipal e movimentos sociais, garantindo que famílias sejam assentadas em terrenos preparados para receber novos conjuntos habitacionais.