O vereador Cabo Ângelo, do MDB, usou a tribuna da Câmara de Diadema para chamar atenção para o grave problema dos moradores em situação de rua e dos usuários de drogas na cidade. “Percebemos um crescimento perceptível nas ruas e nos bairros de moradores em situação de rua, reclamação de moradores sobre insegurança, drogas, degradação urbana e a preocupação sobre o acolhimento humanizado versus a sensação de abandono de alguns espaços”, afirmou.
Ele ressaltou que, segundo levantamento da prefeitura, a maioria dessas pessoas não é natural de Diadema, e que há predominância masculina, baixa escolaridade e forte presença de dependência química. “O senso populacional detectou que a cada quatro moradores em situação de rua, três não são de Diadema. Não temos como nos descuidar de tratar desse tema, apesar de ser bastante delicado”, disse.
Cabo Ângelo reconheceu as ações da prefeitura, como consultório na rua, operação baixa temperatura, acolhimento noturno e atendimento psicológico, mas afirmou que ainda está longe do necessário. “Dados de 2025 mostram que os acolhimentos quase dobraram, mas existe uma dualidade: a pessoa em situação de rua merece dignidade, acolhimento e oportunidade, e a população merece segurança, limpeza e ordem pública”, explicou.
O vereador alertou para o risco de transformar o sofrimento humano em paisagem permanente e destacou a complexidade do problema. “Quem é vítima das drogas precisa de ajuda, mas o trabalhador, o comerciante, a mãe de família e o morador também não podem ser abandonados em detrimento da falta de enfrentamento”, afirmou, pedindo equilíbrio nas ações.
Ele ainda comentou sobre a Cracolândia do Taboão, mencionada pelo vereador Reinaldo Meira, e comparou a situação a um “muro de Berlim” invisível na cidade. “Muitas pessoas fingem que não estão vendo aquelas pessoas deitadas nas ruas precisando de ajuda. A maioria não pode ser classificada como criminosa, mas entre elas se misturam pessoas que cometem crimes e se aproveitam da situação para se esconder”, alertou.
Por fim, Cabo Ângelo defendeu que o enfrentamento da questão não deve ser feito pela polícia, mas por meio de ações sociais mais efetivas. “Precisamos levar mais a sério a questão dos moradores em situação de rua. Não é polícia, mas é mais ação social que devemos provocar no governo para que se atente a isso”, concluiu, reforçando a urgência do tema para a cidade.