Luiza Lucia da Silva, do coletivo Mulheres Determinadas, denunciou na tribuna da câmara que a prefeitura de Diadema impediu a realização da corrida feminina que mobiliza milhares de mulheres na região. "A prefeitura cancelou uma corrida com mais de 1.000 pessoas inscritas", afirmou Luiza, que também relatou ter sido pressionada por telefone pelo então secretário municipal Marcos Michels. "Isso é violência contra a mulher e perseguição política", declarou.
A vereadora Patti Ferreira apoiou a denúncia e criticou a gestão municipal por proibir manifestações femininas na cidade. "Essa gestão não entendeu que mais de 52% da população é de mulheres", disse. Ela citou outras proibições recentes, como a marcha contra o feminicídio e eventos culturais, classificando a postura como "machismo e misoginia". Patti ainda ofereceu apoio político ao coletivo Mulheres Determinadas.
Em defesa da administração, o vereador Jeferson Leite afirmou que a gestão não é misógina e destacou programas voltados para a saúde da mulher. Já o vereador Josa Queiroz considerou absurda a proibição da corrida e alertou para problemas futuros com a cobrança de taxas para entidades sem fins lucrativos em eventos coletivos. "É um absurdo essa proibição, ainda mais quando se trata de um evento importante para a cidade", afirmou.
O líder do governo na câmara, vereador Juninho do Chicão, explicou que a prefeitura não tinha ciência oficial da corrida e que o ex-secretário de governo Marcos Michels, pré-candidato a deputado federal, entrou em contato com Luiza para esclarecer a situação. "A corrida já estava lançada e os kits vendidos sem autorização formal", disse. Ele pediu que a assessoria da câmara verifique toda a documentação para esclarecer os fatos e dar uma resposta transparente.
Luiza voltou à tribuna para reforçar que tentou cumprir todas as exigências legais e que tem documentos que comprovam isso. "Eu pedi para o prefeito me mandar o boleto que eu pago para fazer a corrida", afirmou. Ela denunciou perseguição política e preconceito, lamentando o tratamento recebido. "Hoje me envergonho porque apoiei essa gestão e peço desculpas às mulheres e homens do coletivo", declarou.
O presidente da câmara, Rodrigo Capel, comprometeu-se a analisar toda a documentação e buscar uma solução junto à prefeitura e vereadores. "Vamos verificar os documentos para esclarecer quem está com a razão e garantir o direito de ir e vir na cidade", afirmou. O caso continua em aberto, com expectativa de resolução nas próximas semanas.