O programa Prefeitura Presente, lançado dentro da Polistampo Indústria Metalúrgica, é apresentado como inovação, mas expõe uma contradição evidente: trabalhadores de fábricas, que já contam com melhores condições para buscar assistência médica e outros serviços, foram priorizados, enquanto moradores do Jardim Ruyce seguem enfrentando longas distâncias até uma UBS. “Estamos aproveitando o mês do trabalhador para iniciar esse Programa”, disse o prefeito Taka Yamauchi, sem justificar por que não começou pelos bairros mais carentes.
O custo estimado de cerca de R$ 200 mil por edição, comparável a programas itinerantes em cidades vizinhas, sai do orçamento municipal e é executado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, em parceria com Saúde e Educação. Críticos afirmam que o valor poderia ser usado para reforçar a rede fixa de atendimento, especialmente diante da demora para marcar consultas e exames na AME da cidade, que em muitos casos compromete a saúde do paciente.
A escolha da fábrica como palco da ação reforça a percepção de que a prefeitura privilegia empresas privadas em detrimento da população mais vulnerável. Seria muito mais interessante se o programa fosse realizado em locais de grande circulação popular, como supermercados ou atacarejos, permitindo que qualquer cidadão fosse atendido. “É louvável levar serviços até os trabalhadores, mas gastar R$ 200 mil em um único dia de atendimentos é questionável”, afirmou um servidor da saúde.
Do contrário, trata-se de uma medida hipócrita e ineficaz, que usa o dinheiro dos impostos de moradores que continuam sem acesso digno a serviços básicos. Enquanto funcionários da fábrica elogiaram a oportunidade de atualizar vacinas, os moradores do entorno seguem esquecidos. A crítica central é clara: ao privilegiar quem já tem mais recursos, a prefeitura deixa de lado justamente aqueles que mais dependem do sistema público. (Marco Ribeiro)