A 17ª edição do Brazil Windpower 2026 foi encerrada nesta quinta-feira (29), em São Paulo, após reunir mais de 4.800 participantes, 110 expositores e representantes do setor elétrico para discutir os desafios e as oportunidades da energia eólica no Brasil. Os debates destacaram temas como curtailment, modernização da transmissão, segurança regulatória e atração de investimentos para o segmento.
Entre os destaques da programação esteve o painel sobre a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), instituída em dezembro de 2025. Segundo a diretora de Programa do Ministério de Minas e Energia, Lorena Melo, a proposta prevê análises conjuntas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e processos competitivos nos casos em que a demanda por conexão à rede superar a capacidade disponível.
O armazenamento de energia por baterias também ganhou espaço nas discussões. De acordo com Gustavo Ponte, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o órgão recebeu 601 projetos para o Leilão de Reserva de Capacidade, dos quais 580 associam geração solar e sistemas de baterias. O planejamento energético indica a necessidade de 7 GW de armazenamento até 2036, embora especialistas apontem que ainda existem incertezas regulatórias para novos investimentos.
Os participantes ainda debateram os impactos da reforma tributária, a expansão das eólicas offshore e a formação de mão de obra qualificada para atender às novas demandas tecnológicas do mercado. Para Alexandre Gross, do WWF-Brasil, "a gente precisa de uma presença estatal muito forte, de planejamento e coordenação entre diversas áreas e setores, para além da energia". As discussões convergiram para a importância do planejamento de longo prazo, da previsibilidade regulatória e da integração entre setor público, empresas e comunidades.